Thursday, April 11, 2019

Memória

Existem coisas q eu penso q não entendemos até termos a oportunidade de observar uma criança crescer e se desenvolver. Vc começa a ver certas atitudes surgirem e não tem como não se perguntar “Por que?” “De onde veio?” Por que Alexandra tem uma memória tão grande? O ventilador de teto gigante da IKEA, que ela não via há meses. Assim q entrou na parte do depósito, foi a primeira coisa que procurou. A sereia e casa de gesso q tem no meio de um canteiro de flores no meu trabalho. Qdo passou por ele (talvez pela segunda vez) ao vê-lo coberto de neve, perguntou se a sereia estava embaixo da neve. Detalhes tão pequenos q as vezes adultos não se lembram? Como uma criança tão nova pode ter a perspicácia de ver esses detalhes. Imagino q a vida está diante delas de forma tão intensa, tão profunda, q todos esses detalhes, esse turbilhão de formas, cores, sons e sensações fazem uma imagem bem vívida. Td é novo e td impressiona. Me lembra os “olhos de menina inteligente e sagaz” de Leonor. Quatro anos, diz a poesia, e já sabia apreciar a beleza das pétalas caindo. Eu ouvia essa poesia e achava q era pura licença poética. Mas não é. Aos quatro anos o mundo é mais intenso. Td aquilo a q nós já nos acostumamos por ter visto e experimentado por pouco mais de 21 anos... td isso elas estão absorvendo fervorosamente  e alucinadamente em seus 2, 3, 4 anos de vida. Não é à toa q detalhes sejam lembrados e mencionados com tanta paixão. Não é à toa q essa é a resposta das crianças: “É a vida, é bonita e é bonita.”